quarta-feira, 29 de junho de 2011

Espelho, espelho meu...

Foto: Sol
Hoje eu me olhei no espelho e me vi. Ri tanto que quase chorei. Quis sair correndo e enfiar a cabeça dentro de um lago e gritar de pavor para ninguém ouvir tamanha frustração comigo mesma. Como podemos ser um dia linda e no outro feia que dói? Fiquei com vontade de quebrar o espelho, mas lembrei que isso já foi feito. Estou repetindo? O jeito foi escovar os dentes, tomar café e voltar a estudar. 
É o que vem de dentro. Sou ser bicho. As vezes tenho vontade de quebrar tudo. Eu nunca fui muito de telefone. Antigamente descontava neles. Já quebrei muito telefone nessa vida. 
Quando eu era pequena andava a cavalo ou me escondia atrás da porta. Minha mãe conta que já passei o dia inteiro atrás da porta sem comer e sem fazer barulho. Eles chegaram à pensar que eu havia desaparecido.
Agora a fúria passa de outro jeito. Desde que morei em Bonito minha relação com o meu eu mudou e como.
Hoje em dia tenho a capacidade de fazer tudo internamente, corro, escalo, vou para a cachoeira ou simplesmente penso em coisas que me levam para esses lugares. Deixo o tempo agir e começo a voltar ao eixo. 


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Poesia visual

Não me canso de admirar...

Fotos: Sol


A mesa. Ou seria? A árvore

Caminhando pelo Rio vi essa mesa de madeira. Parei. Olhei. 
Tentei imaginar por onde essa mesa teria passado. A transformação que ela teria sofrido. Que árvore ela já fora um dia? De que floresta ela viera? Será que ainda existe essa floresta?
Me fez muito refletir a respeito do que somos e de como estamos em constante transformação, natural ou não. Transformação, eu tenho um certo gosto por essa palavra, gosto pela sua ambigüidade.
Vivemos essa transformação diariamente, positiva ou negativa. Temos que buscar o equilibrio, transformação sem agressão, sem impacto. Pensando nisso:
Domingo, lindo dia de sol. Peguei minha ''magrela'', coloquei uma roupa verde, meu filho Thomas foi solidário e colocou até meias verdes. Parecendo os ''tartarugas ninjas, fomos encontrar, amigos verdes, familiares verdes e a marcha verde contra o Novo Código Florestal, em Copacabana.
Não sei dizer quantas pessoas haviam, gostaria de ter visto mais. Mas fiquei feliz pois quem esteve lá, esteve porque realmente acredita, foi voluntariamente. Isso é importante! Se propor, não desistir, acreditar. 
Quantos não sabem o por quê do voto e nem  mesmo para quem estão votando. Sobre preservação? menos ainda.
O que estamos vivendo não é só uma questão política é a luta pela própria vida. A continuidade. O ciclo da vida no planeta precisa da nossa ajuda, somos parte disso tudo. 
Se tenho uma religião essa é a minha. Respeito com a natureza. Temos um templo a céu aberto, com o frescor do vento, a floresta, as montanhas, os vales, o cerrado, o silêncio, o barulho dos bichos, enfim, poderia citar milhões de exemplos. 
O ser egoísta entrou no ''ensaio sobre a cegueira''. Temos que lutar para que a floresta continue vivendo.
Plante o dobro, antes mesmo de pensar em desmatar daqui para frente. 
E imaginar esses pobres seres que não pensam em nada disso. E pior, imaginar aqueles que pensam e ignoram. 
Num pensamento sem fundamento eu sonho em ver o homem sem o sentimento de ''poder'' no coração. Como numa saga. Tornar-se livre, desconhecer o poder. 
Ainda temos dificuldade em lutar pelos direitos em comum. Deixemos de lado as  pretensões, lutemos pela igualdade do ser.
Estamos presos por uma minoria que dominam tudo e todos por ter em mãos o ''poder''? 
Fazendo uso dessa palavra descaradamente. O poder da igreja. O poder legislativo. O poder executivo... 
E os argumentos capitalistas de que temos que trabalhar e que faz parte da natureza do homem, o trabalho. O trabalho de exploração? É esse que temos como proposta.
Não existe valorização do ser. O sábio Raul Seixas profetizou: ''O dia em que a terra parou''. Temos que parar tudo.
Tem gente que pensa em morrer, desistir, fugir. Sinceramente, eu quero viver o máximo que puder para aqui lutar. 
Daqui alguns anos, esse pobre corpo que aqui me serve poderá descansar sabendo que reivindicou.

Foto: Sol

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dormir não é perder tempo. É se perder no tempo.

Essa noite sonhei que um visionário criou um novo atrativo turístico no Rio de Janeiro. Entrei na fila, fiquei por alguns instante observando o comportamento das pessoas e não entendi o que acontecia com elas. A fila avançava rápido e logo chegou a minha vez. Subi os degraus, na verdade os degraus é que subiam comigo. Cheguei numa plataforma a céu aberto, em cima de um brejal com vegetação subaquática bastante variada. Assim que o degrau chegou tive que saltar depressa pois como uma escada rolando os degraus não pararam para eu descer. Desci, entrei em um caixão de vidro transparente, parecido com um aquário. Essa caixa começou a flutuar comigo. No início me deu um frio na barriga, mas depois comecei a relaxar e a curtir intensamente aqueles movimentos. Senti meu corpo levitando,  era o meu corpo que controlava os movimentos da caixa transparente. Dei alguns giros leves, fiquei de cabeça para baixo e avistei um portal que durou alguns segundos. Não consigo lembrar o que visualizei dentro do portal. A caixa flutuava em cima de uma nascente só parei quando me desconcentrei e caí dentro do riacho e a vegetação tomou conta da caixa. De lá subi numa Gôndola de Veneza e encontrei com o Thomas e o Cainã brincando em cima de um tronco bem grosso na beira de um rio. Eles  brincavam e riam. Acenaram quando me distanciei e continuaram o que estavam fazendo.
Saí do rio e encontrei a Jéssica que acenou e me ajudou a subir em um tronco fino e muito comprido, cheio de galhos e folhas, uma ponte que me levou para outro lugar. Fumei um cigarrinho de palha que alguém deixou aceso em cima de uma árvore baixa e com o tronco bem grosso, ao lado de uma cerca de arame farpado. Avistei alguém, um homem se aproximando, era o meu pai à cavalo. Chegou me olhou e disse com voz mansa: "Desce daí que a Tainá foi picada por uma cobra, não é para você ficar assustada, não é nada grave, a cobra foi encontrada''. Cheguei ao hospital e vi dois furinhos na perna da Tainá foi quando ela me acordou dizendo: ''Mãe, mãe, tchau, estou indo para a escola''. 


quinta-feira, 16 de junho de 2011

A lua menstruou. Eu também

Acordei cedo, atrasada, mal escovei os dentes e sai correndo em direção à Tijuca.
Prova de Estudos em Comunicação.
Durante o caminho fui ouvindo a 94.1, Roquette Pinto FM, deu no noticiário: ''Lua Cheia Eclipsada''. Eu já sabia mas foi bom relembrar para planejar onde seria melhor para observar.
Pensei no Pão-de-Açúcar, subir pelo Costão até a Pedra Filosofal. Outra opção seria aceitar o convite do meu primo Thiago que chamou uma galera para subir o Costão de Itacoatiara. Porém o tempo continuava nublado aqui no Rio, achei melhor não arriscar  lugares altos.
Chegou a tarde eu percebi que estava estranha, mais inchada e indisposta. Também estava menstruada, ou melhor dizendo eclipsada?
Acabei optando pela mureta da Urca com a Tainá e o Thomas. O tempo permaneceu coberto. Não vimos o eclipse.
Takumã Kuikuro, um amigo do alto Xingu, me emprestou um filme de sua direção e de Maricá Kuikuro, justamente sobre o fenômeno da lua Menstruada. O documentário faz parte do projeto Video nas Aldeias. ''O dia em que a lua menstruou, Nguné Elü. Tudo muda. Os animais se transformam. O sangue pinga do céu como chuva. O som das flautas sagradas atravessa a escuridão. Não há mais tempo a perder. É preciso cantar e dançar. É preciso acordar o mundo novamente. Os realizadores kuikuro contam o que aconteceu nesse dia, o dia em que a lua menstruou.''
http://lugardoreal.com/video/o-dia-em-que-a-lua-menstruou-ngune-elu/
O fato é que voltei para casa e o tempo se abriu, a lua apareceu linda e cheia no céu.
Pensei comigo, vou dançar, no Circo Voador. Os Cordestinos, convidam Gilberto Gil, Carlos Malta, Hamilton de Holanda, Sérgio Chiavazzoli, e Yamandu Costa para tocar clássicos de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e suas próprias composições.
Mas nada deu certo. 
Meia noite eu ainda estava em casa, sem tomar banho e meus planos indo por água abaixo. Eu não poderia deixar as crianças sozinhas e ir para o show. Sinceramente, isso nunca aconteceu. Sempre consegui combinar e conciliar meus programas com os do JM. 
Me bateu uma tristeza e percebi que seria inútil tentar ir contra. Alguma coisa fez com que eu ficasse em casa. Talvez o JM possuído por um espírito do tempo para que eu não fosse atropelada na rua? Vai saber. Só sei que minha vontade foi completamente ignorada e nesse momento me bateu uma tristeza e comecei a chorar e a chorar. Parecia criança abandonada. Chorei a noite inteira que molhei o travesseiro, hoje meus olhos estão ardentes e inchados. 
Estou escrevendo sem saber direito o que aconteceu. Assisti novamente o video sobre o eclipse. O banho? Isso é segredo...
Essa coisa de eclipsar para mim é terrível. Eu fico mal-humorada, indisposta, cheia de olheiras, querendo que o mundo se acabe.



terça-feira, 14 de junho de 2011

La Corse. J'adore.

Nous sommes allés en Corse en juin de l'année 2009.
Splendide!
Marcher et marcher à travers des sommets de l'île.
Marcher sans rien penser, ni le temps, ni les cartes.
Rien que le paysage et quelques troupeaux de chevaux et de chèvres.
Les fleuves  pour se baigner, les chemins dans les rochers.
Le regard change, même s'il a déjà changé avant.
Les odeurs des sangliers et de l'herbe.
Des petites fleurs inconnues.
Plus d'attention dans les vallées, de terres qui s'éboulent aux paysages mirages.
Les arbres verts. La mer Méditerranée.
Enfin, arriver à Bonifacio.






Fotos: Sol

sábado, 11 de junho de 2011

Fotografia do Silêncio

Da roda de pensamentos vagos...
Hoje eu fui entregar minhas fotos para um concurso. Parece que joguei uma agulha no palheiro. Revelei uma série com todo meu afeto e carinho, ''contos do relento'', depois certamente serão destruídas, caso não sejam escolhidas. 
Em P&B escolhi as mãos do poeta Manoel de Barros para me representar. Meu olhar não percebe a cor,  vejo as formas e o silêncio, me encontro no P&B. Preciso do silêncio. Pessoas dormindo, mãos silenciosas, olhares distantes, um balanço vazio, cavalos... É como mergulhar em uma gruta profunda, ouvindo só a respiração, um mergulho introspectivo... Conversando com a fotógrafa Sandra Moura, que ganhou um concurso recentemente. Ganhei várias dicas e endereços para uma boa revelação. Ela me mostrou suas fotos. Ela trabalha a cor, o ser urbano, a cidade.
Ainda chego lá. Gosto de cores também.
Fiz a inscrição para o curso de fotojornalismo com o Evandro Teixeira.
Hoje foi o dia de invocar os mestres.
Salve sua força.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O bicho



Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira
Cena do cotidiano, não só daqui do Rio como de outros lugares.

 
Fotos: Sol


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Por onde e quando começar?

O estímulo e o treinamento com as crianças para que essa viagem se realize a pé pelas trilhas da Ilha de Creta não surgiu do dia para a noite e sim depois de muitos experimentos. Nossos hábitos  como: caminhadas, pedaladas e montanhismo ajudaram na tomada de decisão. Já temos nosso próprio ritmo e conhecemos bem o ritmo dos nossos filhos, desde pequenos que viajam conosco, estão acostumados, com viagens curtas como a Travessia do Pantanal ou longa como a  de junho de 2009 para a Ilha de Córsega, França, GR20 - travessia que fizemos em 13 dias pelas montanhas da ilha de norte a sul. A ajuda dos avós Anne-Marie e Jean-Philippe  foi fundamental. Enquanto seguíamos pelas trilhas das montanhas de Calvi à Bonifacio, eles seguiram em segurança  com os avós em um ''Camping car '', até o nosso encontro dias depois no sul da Ilha, que é banhada pelo Mar Mediterrâneo. Aproveitamos a última semana da viagem para ficarmos juntos e descansar.                                                                        
Lembrando que o mais importante, nessa viagem para a Ilha de Creta, é aproveitar a união e não superar e provar limites. Queremos que seja agradável para todos principalmente para a Tainá e Thomas, respeitando o tempo de cada um. A prioridade é o conhecimento e o auto-conhecimento, vamos buscar a interação e as sensações das descobertas surpresas que o lugar  tem a nos proporcionar da melhor forma possível. Queremos que seja uma viagem, acima de tudo de paz, harmonia e de integração com  a natureza. 

A Paisagem da Ilha de Creta é bastante variada, o que nos seduziu na escolha foi suas montanhas e trilhas, as crianças escolheram pensando no fascinante mundo dos mitos e lendas.
Ontem, antes de dormir a lenda escolhida foi: ''L'ondin du moulin'', Conto de Bohême, República Tcheca. Livro: Légendes des Mers, des Rivières et des Lacs. Ed. Gründ Paris.

''Voilà longtemps, bien longtemps, en Bohême, il n'y avait d'étang, de ruisseau, de rivière qui n'abritât son ondin. Et ces étranges génies des eaux établissaient de préférence leurs demeures près des habitations des hommes. A dire vrai, on trouvait parmi eux des génies bienveillants et débonnaires qui se liaient d'amitié avec les hommes et vivaient en bonne entente avec eux. Certains de ceux-là, dit-on, avaient même pris l'habitude d'accompagner leurs voisins à l'auberge, le soir, pour y boire de la bière, et aidaient les gens dès qu'ils le pouvaient. Mais, il faut le dire, des ondins malveillants et parfois même très méchants étaient de loin les plus nombreux..."

Viagem com os primos Cainã, Bentinho, Sairon e Felipe para o MS.
Projeto Jiboia Bonito MS
Barão: um cachorro que realmente vive uma vida de cachorro

domingo, 5 de junho de 2011

Viagem ao mundo do Minotauro.

Ilha de Creta (Grécia) e Le Grand Bornand (Haute-Savoie - França)
Em julho vamos fazer nossa primeira viagem-trilha, os quatro juntos. Agora que o Thomas já está com cinco anos decidimos que, chegou a hora. Uma viagem cheia de lendas, contos e poesia. Estamos treinando na Floresta da Tijuca e está indo tudo bem.
Hoje escolhemos as datas e o roteiro.
Cada um já tem sua mochila e materiais apropriados para a aventura.
Nós começamos a ler juntos um livro com lendas e contos do mundo inteiro para entrar com a cabeça aberta dentro do espírito da viagem. Ontem a noite lemos: A fonte do Esquecimento. Um conto Suíço. Livro: Légendes des Mers, des Rivières et des Lacs. Ed. Gründ Paris.

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En juillet nous allons faire notre premier voyage à pied ensemble, tous les quatre. Thomas a eu cinq ans, c'est le moment de commencer. Un voyage de légendes, contes et poésies. L'entraînement, nous le faisons dans la Foret de Tijuca à Rio.
Aujourd'hui nous avons choisi les chemins et les circuits.
Chacun a déjà son sac à dos, son matériel approprié pour l'aventure en famille.
Nous avons commencé à lire ensemble  des légendes et des contes de tous les pays pour rentrer vraiment dans l'esprit. Hier soir nous avons lu: La Fontaine d'Oubli, c'est un conte Suisse. Livre: Légendes des Mers, des Rivières et des Lacs. Ed. Gründ Paris.

''Au fond d'une vallée perdue, nichés très haut dans les Alpes, existait Jadis une petite fontaine.
L'eau de la fontaine avait la fraîcheur de la glace et son goût était plus exquis que les plus capiteux des vins et portant personne n'osait s'aventurer près de la fontaine car on lui attribuait un pouvoir maléfique. Ceux, disait-on on avaient bu l'eau de la fontaine, oubliaient sur-le-champ qui ils étaient...''

sábado, 4 de junho de 2011

Culinária Criativa!



Hoje eu acordei e tive uma surpresa! 
- Vamos fazer o almoço para vocês.
O Thomas e a Tainá pegaram as bicicletas e uma sacolinha e foram fazer compras no supermercado. O JM os acompanhou de longe.
Adorei e resolvi compartilhar. Eles fizeram tudo. Arrumaram a mesa e brincaram de restaurante enquanto  jogávamos Quest Edição Família. 

Segue a receita retirada do livro: ''Le Manuel des filles'', o título em português é Art&Manias para garotas criativas da editora: V&R

Delícia Salgada
Um clafoutis (torta) de presunto
Você vai precisar de: 
1 litro de leite
3 ovos
6 colheres de sopa de farinha de trigo
8 colheres de sopa queijo gruyère ralado
Sal (a gosto)
Pimenta (a gosto)
1 - Unte levemente com óleo um recipiente ou fôrma para torta e preaqueça o forno em temperatura alta.
2 - Misture em um recipiente o leite, os ovos, a farinha, o queijo gruyère, o presunto cortado em pedacinhos, uma pitada de sal e pimenta.
3 - Coloque essa mistura na fôrma e leve ao forno durante 35 minutos.
Pronto para comer!
Ops! Não sobrou nada para ilustração. 

Sobremesa
Salame de Chocolate
Você vai precisar de:
400g de cobertura de chocolate
120g de açúcar de confeiteiro
100g de manteiga
4 colheres de sopa de creme de leite
2 colheres de sopa de mel líquido
100g de amêndoas ou nozes sem pele
Papel vegetal
1- Coloque em em recipiente fundo a manteiga e o chocolate em pedaços, e derreta em banho-maria.
2- Junte o mel, o açúcar , o creme de leite e as amêndoas ou nozes picadas em pedacinhos (elas vão imitar a gordura do salame). Deixe a mistura endurecer durante 2 horas.
3- Desgrude o bloco de chocolate do recipiente com a ajuda de uma faca. Coloque-o sobre o papel vegetal e amasse, para dar forma de salame.
4_ Envolva a massa no papel vegetal e feche o pacote torcendo as pontas. Deixe descansar por mais 4 horas na geladeira.
5- Desembrullhe o salame e passe-o em um pouco de açúcar de confeiteiro. Por último, corte-o em rodelas antes de servir.

Vai um pedacinho?


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Memórias vagas e o Mundo invertido

Galhos, vem da minha infância. Para olhar para os galhos eu tinha que olhar para cima. Descobri o céu.
Relação que construí e eternizei.
Se não olhava para o céu olhava para dentro do lago e acreditava no mundo invertido.
Cheguei a fugir de casa atrás de um rebanho de ovelhas, atravessei um brejal e até hoje ninguém entendeu como foi que cheguei do outro lado do brejo sem afundar, havia poços de areia movediça.
Na Fazenda Nhu-Guaçu, localizada na Fronteira do Brasil com o Paraguai, perto da Comarca de Itamarã, depois do Rio Iguatemi, lá onde o ''Diabo não perdeu as botas'' de tão longe que fica. Existia muitas cobras: sucuri, jararaca, cascavel e podemos imaginar outras tantas. Eu seguia pela estradinha cantando minha música preferida na época ''Seriema do Mato Grosso, seu canto triste me faz lembrar, daquele tempo que eu viajava, tenho saudade do seu cantar...''. 
Eu buscava o mundo do lago. Eu sonhava tanto acordada que as vezes dormia distraída debaixo de uma árvore. Sentia medo do ''Negrinho do Pastoreio'' e do ''Mão-pelada''. Mas nem isso me segurava.
Confesso que minha relação de amizade com outras crianças demorou aflorar. Eu tinha um amigo, o ''baiano'' um menino parecido com o ''Saci Pererê'' que morava no Galpão junto com os arreios dos cavalos. Meu tio Lidio pegou ele para ''criar'', assim que se fala por lá, e largou ele para morar lá na fazenda conosco. Eu sempre perguntava da mãe dele e ele dizia que não tinha, mas que a minha mãe era a sua madrinha, dizia isso com um sorriso nos lábios. Outra pessoa com quem eu gostava de brincar era o Chico, o tratorista, que eu chamava de ''Chiboca'', duas figuras importantes na construção do meu ser. O Chico era de Alagoas, dizia que tinha sete namoradas e sua cidade natal chamava Sete Lagoas. Eu nunca conheci nenhuma das suas namoradas. Ele as descrevia e pela descrição parecia ser minha mãe e minhas tias. Eu ria do Chico, ele sempre foi muito gentil e brincalhão. Sempre trazia bala-doce ''Soft'' e ''Toddy''. Eu acordava bem cedo, feliz para tomar leite direto da vaca. Naquela época não existia essa  história de agrotóxicos, minha mãe me dava leite cru. 
Minha mãe sempre foi gentil e serena. Pele branquinha e delicada e de poucas palavras, gostava de chorar pelos cantos da casa dizendo que não era feliz morando longe da minha avó, ouvia discos do Tim Maia e do Roberto Carlos, de vinil, fumava escondido do meu pai, depois parou de tanto que ele insistiu. Ela nunca contrariou meu pai.
Já eu, não falava muita coisa, mas observava, aprendi a ler  com 4 anos de idade e a escrever não lembro acho que com 7. Morei um tempo nesse lugar tão distante. Para sair de lá só à cavalo, não havia pontes para atravessar os  rios. Meu tio tinha um carro, uma Rural amarela. O caminho era longo e de difícil acesso mesmo com o carro. O movimento para sair era na madrugada, muito sereno e poeira vermelha. Eu gostava de olhar pela janela do carro e ver o degrade de cores no horizonte plano,  quando tinha neblina não dava para ver nada, nem um metro adiante. As vezes volto nesse tempo nos meus sonhos e através da fotografia. 
Um dia fiquei doente, muito doente, meus pais acharam que eu não sobreviveria.
Depois de algumas semanas internada num lugar chamado Coronel Sapucaia. Minha memória voltou e hoje me lembro de fragmentos dessa passagem inusitada. Meu pai de tão feliz com a minha recuperação disse que eu podia pedir o que quisesse que ele realizaria. Virou conto de fadas.
Não hesitei duas vezes, pedi para morar ao lado da casa da minha avó Maria para felicidade da minha mãe.
A partir desse dia não voltei mais para a Fazenda Nhu-Guaçu. Meu pai negociou com meu tio a Chácara ao lado do Sitio da minha avó. Só que não havia casa, então teríamos que morar acampados debaixo de uma árvore até meu pai construir a casa. Foi assim que aconteceu. Minha mãe não fechava mais a boca de tanta felicidade. Seu sonho tinha sido realizado. Minha mãe ficou tão feliz  que nove meses depois nasceu minha irmãzinha. A casa já estava pronta, meio improvisada, mas minha mãe preferia assim do que morar na fazenda do meu tio.
 Perto da casa da minha vó tinha outras crianças para eu brincar. Demorei para acostumar com o fim do ano.  A casa da minha avó ficava cheia de visitas. Todos queridos, minhas tias e tios com os filhos, mas eu era bicho e as vezes chegava a ser agressiva, não sei, talvez para expressar tamanho desconforto. O pior é que eles não iam embora. Ficavam as férias inteiras. Mas quando iam eu sentia muita falta ou queria ir embora com eles. O silêncio voltava e o ano demorava passar.
Hoje numa cidade como o Rio de Janeiro olhar para o céu é realmente um passa-tempo. Encontramos um horizonte de possibilidades que cruzam o nosso olhar. Sapatos flutuantes solitários ao relento, faça chuva ou faça sol, janelas para o céu, estrelas que morrem pela madrugada, noites sem fim.
Eu sei que ainda tenho muita coisa para ver e sentir. Mas meu tempo  de viver aqui está terminando. Quero me despedir. Sou do mundo. Por mais que goste do Rio chegou a hora de ir embora. Para onde realmente não importa. Minha vida é como uma árvore, vários galhos  e muitas possibilidades que vão brotando.

As vezes parece que não entendo as pessoas, não ligo não, eu não busco o entendimento nas palavras faladas, busco sim no olhar, nos gestos, nas palavras ''impensadas'' e histórias inventadas, que não precisam ser entendidas, nem traduzidas e sim sentidas. Cada qual tem seu caminho, as vezes os caminhos se cruzam.
Expressar-se é um sentimento bom e que dá enorme prazer. Assim como ouvir e entender. Na vida tudo  é aprendizado.