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| Foto: Sol |
Onde estou agora?
A solidão é necessária para descobrir o verdadeiro valor de estar com o outro - digo isso só por mim. Valorizo as relações com homens, animais, plantas, cores, universo, cosmo, enfim, com ''n''coisas.
Nestes últimos dias tenho me perguntado - como venho me relacionando com cada um? Se reflito é porque dou importância. Só me relaciono com paixão. Vivo as paixões intensamente. Posso ''ser e sentir'' o que eu quiser ''ser e sentir''. Sempre acreditei nisso!
Viver a paixão - quando digo isso, penso em todos os âmbitos que conheço da palavra.
Prezo os sentimentos físicos ou não. Os sentimentos leves são crianças nascendo dentro de mim. O físico não significa quase nada; ao mesmo tempo que podemos estar presentes, podemos não estar verdadeiramente. Não estou dizendo que não aprecio o físico. Conviver diariamente para mim é complicado, pelo menos nesse momento. Conviver é rotina. Tenho dificuldade com rotina. Mas valorizo todas as formas de relações.
Até onde estou sendo eu mesma?
A partir do momento que aceito minha própria confusão, meus sentimentos, meu temperamento e as negações, creio estar me abrindo para mim mesma. Fomos condicionados a só querer fazer o bem e dizer sim. Eu, porém, não vejo o bem como verdadeiro e muito menos o sim. Vejo como uma imposição, da qual estamos começando a ter consciência, coisas que foram impostas pelas tradições. Pensar sobre o mal, seja como for, pode ser considerado como pecado. Isso para mim não tem valor. Desconsidero qualquer afirmação que só favorece um lado.
Posso estar cega, mas me parece que tudo tem dois lados ou mais: o bem e o mal, o branco e o preto, o Ocidental e o Oriental, o homem e a mulher, o esquerdo e o direito, a noite e o dia, e por aí vai. Vou refletir mais sobre o ''único'', outra hora. Tenho a impressão de que o ''único'' não existe, é o que me pareceu agora.
Eu estive na linha imaginária do Equador. É muito bom ter ''insight'', nesse dia eu me coloquei entre dois pólos: o pólo norte e o pólo sul. Tudo não passa de estar visualizando sua própria imaginação. Nesse dia, vi os dois lados da vida e refleti sobre tudo aquilo que me ensinaram. Fui até minha infância, antes dela e voltei. O que eu pensava até então não passava de uma mentira. Na verdade eu sempre soube disso, mas nesse dia eu tive certeza. Foi um sentimento que veio de dentro de mim e me senti totalmente livre pela primeira vez.
Quando cheguei até os Yanomamis, percebi que o Brasil não existe, não dá mesma forma que eu acreditava que existisse. Outra coisa: contar a idade e dar coerência para as coisas é só um conceito do qual fomos obrigados a aceitar. Somos seres padronizados. É uma invenção do sistema. Somos programados e manipulados diariamente.
Inclusive, os Yanomamis morrem de rir quando são obrigados a pronunciar o próprio nome. Falo do nome oficial, de registro, aquele que está na carteira de identidade brasileira. É uma piada! Alguns ainda não tem nome na tribo. Eles me contaram que o nome não é escolhido por eles, ou pelos pais e sim pela natureza, ou seja, num determinado momento o nome aparecerá.
Meu nome foi escolhido pela natureza, como vestia preto e minha amiga vermelho nos deram o nome de horetoyoma e huryhima. São pássaros da mesma espécie, cada um tem uma cor e uma personalidade. São pássaros que não voam alto, mas são capazes de saltitar durante muito tempo entre os arbustos.
Onde estou agora?
Agora eu acabei de voltar. Estou aqui escrevendo essa lembrança que me veio à tona. Estou sentindo saudade das montanhas, de estar com minhas irmãs, ver meus primos queridos, tomar chimarrão e rir muito. Estou sentindo vontade de ouvir algumas vozes, de abraçar minha vó Maria Flores.
Eu só tenho certeza de uma coisa. Daqui a pouco vou poder abraçar meus filhos e dizer o quanto os amo e que sou muito feliz em viver e conhecer pessoas maravilhosas nessa minha passagem por esse mundo. Tive que descobrir e lutar para abraçar a liberdade.
| Foto: Sol |

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