| Foto: Sol |
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Conversa ao pé do ouvido

Feche os olhos.
Imagens, sons e cheiros,
Lembre daquela conversa ao pé do ouvido.
Sente ao lado direito do Poeta,
A sala, a toca.
Ele fala passarinhos, o silêncio,
O Índio Guató em Paris e o olhar primitivo,
Fala de mansinho.
Fique sem saber o que dizer,
Nessas horas para quê falar?
Busque os pensamentos vagos... que fujam todos... melhor assim.
Silêncio!
Emocione-se, chore por dentro para acalantar a alma.
Silêncio!
Logo depois de ouvir o silêncio,
Fale da infância,
Ria,
Fale da infância,
Ria,
As casinhas na varanda, duas casinhas de beija-flor.
Depois de muita conversa sobre o nada, despeça-se do Poeta encantador, cujo nome: joão de barro.
Conversa em forma de poesia,
E poesia tem forma?
Guarde na lembrança: Dona Stella acenando no portão.
Agradeço as oportunidades que a vida proporciona, de coração.
Retrato aqui, o encantamento pelo silêncio!
| Fotos: Sol |
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Tempestades Internas
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| Foto: Sol |
Onde estou agora?
A solidão é necessária para descobrir o verdadeiro valor de estar com o outro - digo isso só por mim. Valorizo as relações com homens, animais, plantas, cores, universo, cosmo, enfim, com ''n''coisas.
Nestes últimos dias tenho me perguntado - como venho me relacionando com cada um? Se reflito é porque dou importância. Só me relaciono com paixão. Vivo as paixões intensamente. Posso ''ser e sentir'' o que eu quiser ''ser e sentir''. Sempre acreditei nisso!
Viver a paixão - quando digo isso, penso em todos os âmbitos que conheço da palavra.
Prezo os sentimentos físicos ou não. Os sentimentos leves são crianças nascendo dentro de mim. O físico não significa quase nada; ao mesmo tempo que podemos estar presentes, podemos não estar verdadeiramente. Não estou dizendo que não aprecio o físico. Conviver diariamente para mim é complicado, pelo menos nesse momento. Conviver é rotina. Tenho dificuldade com rotina. Mas valorizo todas as formas de relações.
Até onde estou sendo eu mesma?
A partir do momento que aceito minha própria confusão, meus sentimentos, meu temperamento e as negações, creio estar me abrindo para mim mesma. Fomos condicionados a só querer fazer o bem e dizer sim. Eu, porém, não vejo o bem como verdadeiro e muito menos o sim. Vejo como uma imposição, da qual estamos começando a ter consciência, coisas que foram impostas pelas tradições. Pensar sobre o mal, seja como for, pode ser considerado como pecado. Isso para mim não tem valor. Desconsidero qualquer afirmação que só favorece um lado.
Posso estar cega, mas me parece que tudo tem dois lados ou mais: o bem e o mal, o branco e o preto, o Ocidental e o Oriental, o homem e a mulher, o esquerdo e o direito, a noite e o dia, e por aí vai. Vou refletir mais sobre o ''único'', outra hora. Tenho a impressão de que o ''único'' não existe, é o que me pareceu agora.
Eu estive na linha imaginária do Equador. É muito bom ter ''insight'', nesse dia eu me coloquei entre dois pólos: o pólo norte e o pólo sul. Tudo não passa de estar visualizando sua própria imaginação. Nesse dia, vi os dois lados da vida e refleti sobre tudo aquilo que me ensinaram. Fui até minha infância, antes dela e voltei. O que eu pensava até então não passava de uma mentira. Na verdade eu sempre soube disso, mas nesse dia eu tive certeza. Foi um sentimento que veio de dentro de mim e me senti totalmente livre pela primeira vez.
Quando cheguei até os Yanomamis, percebi que o Brasil não existe, não dá mesma forma que eu acreditava que existisse. Outra coisa: contar a idade e dar coerência para as coisas é só um conceito do qual fomos obrigados a aceitar. Somos seres padronizados. É uma invenção do sistema. Somos programados e manipulados diariamente.
Inclusive, os Yanomamis morrem de rir quando são obrigados a pronunciar o próprio nome. Falo do nome oficial, de registro, aquele que está na carteira de identidade brasileira. É uma piada! Alguns ainda não tem nome na tribo. Eles me contaram que o nome não é escolhido por eles, ou pelos pais e sim pela natureza, ou seja, num determinado momento o nome aparecerá.
Meu nome foi escolhido pela natureza, como vestia preto e minha amiga vermelho nos deram o nome de horetoyoma e huryhima. São pássaros da mesma espécie, cada um tem uma cor e uma personalidade. São pássaros que não voam alto, mas são capazes de saltitar durante muito tempo entre os arbustos.
Onde estou agora?
Agora eu acabei de voltar. Estou aqui escrevendo essa lembrança que me veio à tona. Estou sentindo saudade das montanhas, de estar com minhas irmãs, ver meus primos queridos, tomar chimarrão e rir muito. Estou sentindo vontade de ouvir algumas vozes, de abraçar minha vó Maria Flores.
Eu só tenho certeza de uma coisa. Daqui a pouco vou poder abraçar meus filhos e dizer o quanto os amo e que sou muito feliz em viver e conhecer pessoas maravilhosas nessa minha passagem por esse mundo. Tive que descobrir e lutar para abraçar a liberdade.
| Foto: Sol |
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Mulher etc. e tal
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| Foto: Sol |
Hoje foi um dia daqueles. Meu corpo amanheceu dolorido. Meu humor totalmente transformado. Nem eu queria estar comigo mesma. Quando estou perto de pessoas estranhas, consigo disfarçar, porém, perto de queridos, não dá. É sutil, mas quem me conhece logo percebe a mudança.
Tem cor, é vermelha.
Se eu fosse me definir como uma fruta, não hesitaria, diria logo, sou um limão. Mas como não sou fruta, digo que sou alguém que troca de pele, de ''allure''.
Me considero uma pessoa calma, tolerante e segura. Mas durante quatro dias no mês posso jogar tudo para o alto. Um chá seria uma boa, ao invés disso, prefiro a paura, a tempestade. Quando passa, vem o sentimento de algo novo, mudanças internas, a força incontrolável aos poucos vai sendo acalmada e isso tudo, dentro de mim.
Não chego a me desesperar, aprendi a reconhecer e conviver da melhor forma, já que é inevitável dentro da natureza feminina. Sou contra medidas de prevenção. Prefiro ser bicho.
Gosto de fugir. Desde pequena tenho o hábito de me isolar. Nessas horas ajuda. Meu corpo pede e minha mente também. Ficar sozinha, em silêncio, não pensar, não responder. Para que isso aconteça eu corro de todos e de tudo. Meu refúgio pode ser meu quarto ou vou buscar refúgio longe de casa. Deito, olho para o céu e as vezes durmo no pé da montanha. Ultimamente estou percebendo uma vontade de fotografar, sem interferência de ninguém. Alguns seres sempre aparecem. Uma vez uma lagartixa me olhou com estranheza e continuou seu curso normal. Assim vou convivendo com a TPM, que para mim, nada mais é que, a mudança de pele para a cobra.
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| Foto: Sol |
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