quarta-feira, 20 de março de 2013

Rio não vira mar...


Por onde tenho eu andado ultimamente?
Me sinto tão velha que minhas vontades não importam. Minhas verdades agora são as suas, me sinto nua, suas mentiras são agora as minhas. Que ironia. Pelo menos ainda gosto de café e de cigarro, as vezes fumo maria joana. Gosto de misturar as coisas pequenas, de me fantasiar de borboleta, me enfeitar com jóias de vaga-lume e de ficar sozinha. Admiro toda essa gente que passa rápido e que vai não sei bem para onde. Me divirto com besteiras, participo de redes sociais e lá coloco fotos e tantas outras coisas inúteis que todo ser humano de hoje em dia faz. Até arrumo alguns amigos, amantes, namoradas, admiradores e talvez alguns inimigos. Me engrandeço da liberdade que eu tenho de me apaixonar a cada dia. Agora não sei bem dizer o porquê, das experiências que me agradam mais é: viajar. Viajar de corpo e alma. Se eu pudesse não passaria mais de dois meses no mesmo lugar e a ver as mesmas pessoas. Tenho estimado as coisas passageiras, mundos desconhecidos e seres que se vão. É bem verdade que boa parte de mim ficou, ainda mora na Colônia Bom Dia. Talvez seja porque minha mãe tenha enterrado uma parte de mim lá. Eu sabia que um dia essa tradição de enterrar o umbigo da criança no lugar de nascimento só poderia trazer apego espiritual. Nasci em um lugar onde também nasce um pequeno rio, por ele passam águas e mais águas, deságuam igarapés e outros afluentes, desabrocham árvores frondosas, pássaros e outros animais se banham nesse leito, e até mesmo os agrotóxicos das plantações derramam sobre ele. Considerando a minha idade e os meus cabelos brancos, seria tão inapropriado agora virar mar.


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