terça-feira, 2 de julho de 2013

Alma de gato


Ouço o barulho da chuva e das coisas que estão no passado.
A mesma chuva que acalenta, por vezes assombra.
Noite chuvosa, dolorosa insônia. 
Rolo pela cama evitando compreender a dimensão do labirinto alagado. 
O que são esses círculos coloridos?
Impensáveis são as tentativas de sonhar o já sonhado.
Esse labirinto é uma imensa multidão. Quem são essas pessoas-tartarugas circulantes?

O texto se perdeu; preciso só de uma única palavra que também se perdeu junto com o sono.

Sombra rastejante não se aproxime de mim com seu peso e desencanto.
Não me venha falar de memórias tardias assustadora sombra que projeta seus maus agouros na doçura das mulheres. Conheça a cor amarela ou a indiferença dos meus tão íntimos jardins floridos.

Rede que balança suavemente, pensamentos que rondam uma brecha pra entrar. Nem todos são bem-vindos, existem coisas que soam melhores quando são evitadas.

Mania de pessoa velha; que tem gosto por bolo de fubá, chás aromáticos, chinelo de dedo e meias vermelhas pra aquecer os pés. Mania de crochê, de bordado, de máquina de costura, de combi e de lápis de cor...

Anti Copa

Eu torço pela COPA das ÁRVORES.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Rio não vira mar...


Por onde tenho eu andado ultimamente?
Me sinto tão velha que minhas vontades não importam. Minhas verdades agora são as suas, me sinto nua, suas mentiras são agora as minhas. Que ironia. Pelo menos ainda gosto de café e de cigarro, as vezes fumo maria joana. Gosto de misturar as coisas pequenas, de me fantasiar de borboleta, me enfeitar com jóias de vaga-lume e de ficar sozinha. Admiro toda essa gente que passa rápido e que vai não sei bem para onde. Me divirto com besteiras, participo de redes sociais e lá coloco fotos e tantas outras coisas inúteis que todo ser humano de hoje em dia faz. Até arrumo alguns amigos, amantes, namoradas, admiradores e talvez alguns inimigos. Me engrandeço da liberdade que eu tenho de me apaixonar a cada dia. Agora não sei bem dizer o porquê, das experiências que me agradam mais é: viajar. Viajar de corpo e alma. Se eu pudesse não passaria mais de dois meses no mesmo lugar e a ver as mesmas pessoas. Tenho estimado as coisas passageiras, mundos desconhecidos e seres que se vão. É bem verdade que boa parte de mim ficou, ainda mora na Colônia Bom Dia. Talvez seja porque minha mãe tenha enterrado uma parte de mim lá. Eu sabia que um dia essa tradição de enterrar o umbigo da criança no lugar de nascimento só poderia trazer apego espiritual. Nasci em um lugar onde também nasce um pequeno rio, por ele passam águas e mais águas, deságuam igarapés e outros afluentes, desabrocham árvores frondosas, pássaros e outros animais se banham nesse leito, e até mesmo os agrotóxicos das plantações derramam sobre ele. Considerando a minha idade e os meus cabelos brancos, seria tão inapropriado agora virar mar.


terça-feira, 19 de março de 2013

Conversa íntima com a minha alma




Pós-escrito de 1974.
Lembrado em 2013.

Ao início de mais um século, quase não se passa um dia sem que eu recorde este verso que fora recordado por ele ao meio do século passado:

Corceles exquisitos y ruedas de silencio. *

Invencivelmente, segue-o na memória a inesgotável e tênue estrofe de Jaimes Freyre:

Peregrina paloma imaginaria
que enardeces los últimos amores;
alma de luz, de música y de flores,
peregrina paloma imaginaria. **

Vez em quando, estou sozinha com você alma, gostamos de viajar para o além da terra. Gostamos de virar pequeninas estrelas, sendo assim encontramos os meus e os seus mestres que aqui só deixaram poesias e prólogos. De lá olhamos para o além e rimos ludibriadas.

Por que será que quando eu estou acordada escrevo o que está se tornando íntimo demasiadamente? O que eu devo fazer? Não quero te expor tanto assim, nem fazer uma autobiografia em um blog.

Versos para a alma no dia dezenove de março, dia em que minha mãe deu-me a possibilidade de ver a luz, e é nessa data, principalmente, que minha alma gosta de sair passear, sendo assim, completamos mais uma volta em torno do sol... Portanto, para os que gostam de contar numericamente, completo hoje, mais ou menos 2013 voltas, subtrai-se 1975.