quarta-feira, 19 de setembro de 2012

...meu olhar diante do Mato Grosso do Sul



O sol e a fumaça.
O sol e a fumaça.

Eu gostaria de fazer um convite. Venha visitar o ''meu'' Estado, o Mato Grosso do Sul. Venha ver de perto o que, aqui, tento descrever, o período ideal é agora, essencialmente entre os meses de maio e outubro - época de seca, de queimadas – venha para ver a realidade que aqui se implantou. Só para exemplificar, a umidade relativa do ar, de um tempo para cá, vem sendo comparada a do deserto, 7%. 
Esse é o meu ponto de vista, fundamentado na minha própria experiência perceptiva e pessoal. São as minhas impressões à respeito do que representa o biocombustível ou agrocombustível, na prática. Na minha concepção é o que vem causando maior impacto em um lugar intangível, sendo assim, toca-me profundamente, força-me a adaptação ou senão a desocupação do espaço. Impõe a censura aos menos esclarecidos que deixam de se expressar e questionar, dá-se o surgimento da insatisfação. Na verdade, todos dizem saber sobre os danos atuais causados pelo biocombustível, entretanto, enxergando com os meus próprios olhos a situação se apresenta bem pior do que eu imaginava. Arde, fere e destrói.
Imagina para quem vive no local? As conseqüências da implantação da cana-de-açúcar, são muitas; cito somente meros exemplos, bem básicos, como o ressecamento e a desfertilização do solo, causando a morte; como a queima da cana deixando o ar mais seco diminuindo a possibilidade de chuva; deixo de citar inúmeros impactos de caráter sócio-ambiental, sócio-econômico e sócio-cultural...
Sei que pouco adianta os meus lamentos, afinal, ninguém se sente culpado de nada... Deixo bem claro que não vim aqui para culpar ninguém, não me interprete mal, pelo contrário, é só um desabafo... 
O que estou apontando é que não desejo simplesmente aceitar. Proponho a reflexão coletiva, mesmo longe fisicamente, acredito que quem me conhece um pouquinho, já participou dessa troca interativa de amor pelas pessoas, por viagens, pela natureza, pela vida, ou a troca interativa de repulsa e indignação. Tenho certeza que, mesmo que rapidamente, tivemos a oportunidade de conversar sobre progresso, ordem e crescimento econômico, assim como, sobre a minha perplexidade diante dos impactos causados, não só para com a terra, mas também para com os seres que dela vivem; seres esses que são indevidamente e diretamente afetados pelas medidas econômicas, seja aqui no Brasil ou em outro canto do mundo, geralmente, o alvo se dá de acordo com o potencial em recursos naturais. Tudo isso me causa repulsa e ânsia de vômito.
Enfim, permito-me dizer que estou morrendo por dentro, cada dia que passa perco minhas forças... Me sinto impotente diante do poder. Mas, ainda alimento um fio de esperança que se faz necessário por outras razões.
Fujo, sempre que posso, vou para Bonito para recarregar minhas perdas. Até quando Bonito vai agüentar? Tudo é tão frágil, nascentes e lençóis freáticos ligados diretamente a todo o ecossistema do cerrado e do planeta que vem sendo impactado pela decisão de parlamentares covardes que desconhecem a natureza, a ética e a moral.
Meu coração se põe a chorar, se despedaça de vez, cada dia que passa a dor torna-se imensurável. O que vejo, me deixa mais preocupada ainda. Bonito compondo um cenário de aridez. Um novo ciclo, uma nova era, as fazendas de gado viraram campos agrícolas e a vegetação nativa está sofrendo com o progresso desenfreado.
No sul do Mato Grosso do Sul, isso já vem se alastrando há bastante tempo. Vem com a força de uma onda devastadora e desenfreada. Em Amambai, Naviraí e região a destruição está bem mais avançada com a junção da agricultura de massa (monocultura) e da pecuária de corte.
O Mato Grosso do Sul faz parte do Cerrado brasileiro, possuindo características próprias, com árvores baixas de troncos torcidos e recurvados, as folhas são espessas, esparsas em meio a uma vegetação rala, rasteira de arbustos e campos limpos, as matas são compostas de árvores pequenas e sinuosas. Contudo, durante muito tempo, foi considerada uma área perdida para a economia do país. O que hoje, estamos vivendo, me faz pensar em um pesadelo. O Cerrado já não é mais o mesmo, está cada vez mais descaracterizado; a guavira, o barbatimão, o pau-santo, a gabiroba, o pequizeiro, o araçá, a sucupira, o pau-terra, a catuaba e o indaiá. Cadê? Plantas nativas estão dando lugar à florestas de eucaliptos, à plantações de cana-de-açúcar, a soja, ao milho, etc. Daqui alguns anos, é bem provável, que irão dizer que eucalipto é nativo do Mato Grosso do Sul. A lei que rege o Código Florestal, é a lei do poder e do dinheiro!
Já está aí, época da sede, da fome e da desigualdade social; crianças pedindo esmola; alimentam-se na escola, quando tem aula... sem falar de drogas como o crack que chegou tirando o sorriso e a ingenuidade da adolescência.
Uma faísca basta, para ver o paraíso se transformar no inferno em chamas. As pessoas não se amam mais, não se olham mais, desconfiam do diálogo e renegam um abraço.
Olho, observo e critico, sem temer. Como aceitar que à partir das 15:00h o sol se transforma em uma bola vermelha, quase imperceptível aos olhos dos menos atentos?
Monstro-fumaça!
Dê uns tempos para cá, ele, aqui no Mato Grosso do Sul, veio morar. Dizem que está em fase de crescimento, é apenas um monstrinho. Nessas últimas décadas o bicho vem crescendo tanto, tanto, que tá dando medo.
Minha avó conta que esse monstro, se alimenta da ganância do homem. Ela diz que no final, quem se dá bem é o monstro. Ele cria uma forma avermelhada e devora o seu criador e o povo - sem nenhum dó, sem nenhuma piedade. 
O grande monstro cinzento no céu. O bicho até que é bonito ao olhar do poeta, porém, cheira mal, uma mistura de enxofre e carvão. Dizem que é o cheiro da morte... O curioso é que os carcarás comemoram em alvoroço quando encontram a carniça de um tamanduá atropelado   no meio da estrada.
Triste, mas é esse o cenário.
Como fomos perder dessa forma nossa identidade Sul-Mato-Grossense?
Espero que o povo da Amazônia não passe pelo mesmo sofrimento que nós estamos passando. 
Pausa, talvez seja o único caminho para parar e analisar quem está nos direcionando.
O inferno de todos, dos ricos e dos pobres vem sendo amenizado com aparelhos ares-condicionados, seja nos carros, nas casas, nas lojas, nos escritórios, nos tratores, etc. Os parques? São artificiais, instalados em shoppings de luxo que vendem produtos ‘’made in China’’.
Eu, e essa minha infinita tristeza!
O jacaré me contou um segredo, ele disse que a chuva está por vir.
Será que ele fez uma previsão ou é óbvio e de se esperar? Por aí virão chuvas, enchentes, tempestades, raios, trovões, tornados... o que causará lamentações e perdas irreparáveis.
Eu sonho sim, pois, somente assim consigo ver sentido e continuar acreditando num mundo melhor. Penso nos meus filhos, penso nas crianças.
Confesso que acho o mundo frustrante! Mas, não sei como, ainda vejo flores e beleza no lugar mais caótico e obscuro.
Vejo flores em cada ser... Como diz minha querida avó Maria ''minha filha, a fé de cada um é o que cura o mal, não sou eu benzendo, como muitos pensam''.
Quanto mais viajo, mais acredito em uma saída, mas do jeito que está indo, espero que não seja só utopia.
O Brasil sente um peso... o peso dos blocos econômicos mundiais, o peso de ser considerado o celeiro do mundo. O peso da desigualdade e da ignorância do povo. Povo que vem da escravidão, extermínio, dominação e manipulação.
Eu acredito no conhecimento, na sabedoria e no modo de vida dos índios.
Como já disse o grande Zé Ramalho ''eh, ôô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz.'' Chega, né?
Eu não estou dizendo que sou contra o desenvolvimento, para mim, esse é o verdadeiro sentido de um país, desenvolver-se baseando-se em fundamentos paralelos ao dinheiro e ao poder... desenvolver-se, primeiramente, com prevenção, precaução, saúde, educação, igualdade social e preservação das riquezas naturais, acima de tudo. 
É ela que nos mantém, a Natureza. Sem ela não existe nada. O desenvolvimento baseado no conhecimento da mãe-natureza é a chave que todos nós buscamos...
Ser nativo não é só nascer no lugar, é mais do que isso, é uma filosofia de vida, é um estado de espírito, é viver em harmonia com os outros nativos, plantas e animais. 
O conceito de industrialização não é nosso... vem de fora... queremos tecnologia... mas queremos ser respeitados... queremos nossos rios, nossas florestas... queremos decidir o que é melhor para nós... queremos que o mundo aprenda a nos ouvir para que possamos fazer a troca do conhecimento... não é assim através da imposição e dominação. Ninguém foi consultado e informado sobre os impactos que essas medidas causariam, por exemplo. Queremos dialogar antes de qualquer decisão que nos afeta diretamente.
Se o ser-humano preservar a fauna e a flora, aos poucos, ela voltará ao seu estado de origem, lógico que restará cicatrizes, porém um corpo se regenera... daí sim, a vida voltará a ter mais sentido. 
Vejo como absurda a  implantação de 40 usinas de cana-de-açúcar, até 2026 no Estado do Mato Grosso do Sul. Isso é crescimento? Sinceramente, como pode alguém pensar assim? Eu não entendo nada dessa ânsia em suprir necessidades de consumo. O Brasil não é o celeiro do mundo, nem pode ser, aqui nós temos reservas naturais... mas elas não nos pertencem... são recursos do organismo terra. O corpo do outro deve ser respeitado, o corpo da terra não nos pertence... Isso é marketing de empresas que se beneficiam com esse conceito.
Pensando profundamente, creio que será difícil combater o plano do Governo e da ganância humana, isso já vem sendo traçado há muito tempo... tudo já vem planejado, baseado em dados econômicos, sem fundamento para a humanidade ... baseado na economia do poder, sempre idealizando e tendo como referência os Estados Unidos e outros países que já se afundaram nesse poço de merda econômica.
Eu desejo parar tudo... aqui não chulé, larga do meu pé de rachadura, ochê!
Somos chamados de ignorantes, de povo que não consegue discernir...   que não tem coragem em se mobilizar... Continuem pensando assim...
Quero propor em defesa das florestas uma experiência física e sensorial. Fique nu e deixe que estranhos arranquem os seus pêlos pubianos, cabelos, cílios, sobrancelhas, deixe que cavem feridas, queimem seu corpo... com certeza você não irá agüentar e entenderá o que sinto com relação à destruição da natureza.
Por isso, eu o convido, venha conhecer de perto a realidade do Mato Grosso do Sul, sofro duas vezes, pelo Brasil e pelo meu Estado... a culpa de quem é? Ainda não sei.. acho que é de cada um de nós... minha, sua, nossa... tudo o que consumimos está diretamente ligado ao consumo de combustíveis... 
É isso!
Eu ainda acredito no Amor.
Sol







sábado, 1 de setembro de 2012

A câmera obscura


A Câmera Escura



As origens da FOTOGRAFIA
A fotografia não tem um único inventor, ela é uma síntese de várias observações e inventos em diferentes momentos da história. A primeira descoberta importante para a fotografia foi a Câmara Obscura.
Na grécia antiga, Aristóteles observou a imagem do sol projetada no chão durante um eclipse, quando os raios solares passavam por um pequeno orifício entre as folhas de uma árvore. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem.
Na idade média, um erudito árabe, Ibn al Haitam (965-1038), o Alhazem, observa um eclipse solar com a Câmara Obscura , na Corte de Constantinopla, em princípios do século XI. Nos séculos seguintes a Câmara Obscura se torna comum entre os sábios europeus, para a observação de eclipses solares, sem prejudicar os olhos. Em 1521, Cesare Cesariano, discípulo de Leonardo da Vinci, descreve aCâmara Obscura em uma anotação e em 1545, surge a primeira ilustração daCâmara Obscura , na obra de Reiner Gemma Frisius, físico e matemático holandês.
c  mera obscura 1
No século XIV já se aconselhava o uso da Câmara Obscura como auxílio ao desenho e à pintura. Leonardo da Vinci (1452-1519) fez uma descrição da Câmara Obscura em seu livro de notas sobre os espelhos, mas não foi publicado até 1797. Giovanni Baptista della Porta (1541-1615), cientista napolitano, publicou em 1558 uma descrição detalhada sobre a câmera e seus usos no livro Magia Naturalis sive de Miraculis Rerum Naturalium. Esta câmara era um quarto estanque à luz, possuía um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do compartimento, a sua imagem era projetada invertida sobre a parede branca.
tenda
    Câmara Escura em forma de tenda utilizada por Johannes Keppler 1620
Em 1620, o astrônomo Johannes Kepler utilizou uma Câmara Escura para desenhos topográficos. Em 1685, Johan Zahn descreve a utilização de um espelho, para redirecionar a imagem ao plano horizontal, facilitando assim o desenho nas câmaras portáteis.
c  mera reflex
    Câmara Escura tipo caixão e reflex, usada por cerca de 150 anos, antes do aparecimento da Fotografia.
Em nossa aula, construímos uma Câmera Obscura, utilizando papel cartão, papel vegetal e uma lente acoplada sobre o orifício de entrada de luz. Agora observe na animação abaixo, um esquema do seu funcionamento e responda numa folha de fichário:
camera obscura
1. Qual a função do oríficio na caixa? E a função da lente?
2. Por que a imagem dentro da caixa se forma de ponta cabeça?
3. Qual órgão do corpo humano tem um funcionamento similar ao da Câmera Obscura?
4. Reflita e responda: O uso de instrumentos técnicos que facilitavam o desenho diminuem a importância de artistas como Leonardo da Vinci? Justifique.
Fonte: Projeto Vida