
Eu não tenho palavras para expressar de forma precisa o significado do ano de 2011 para mim.
Posso afirmar que o início do processo de transgressão e busca do Eu surgiu, anteriormente, na expedição ao Pico da Neblina, isso em 2009. À partir daí se deu o processo de renascimento, aceitação da perda da minha mãe, percepção e valorização das relações impalpáveis.
Por fim, alcancei o tempo no ano de 2011, ano da continuidade.
A reação é, inclusive, carnal a cada mudança, seja ela física, mental ou espiritual.
O improvável se dá de forma embaraçosa. As palavras fogem e o riso ocupa.
Sereno ele disse:
- Volte a escrever. Você tem muita imaginação.
A Fernanda proporcionou o encontro. Nesse momento, descobrimos muitas formas de comunicação entre nós ''Eu iN Fernanda''.
Em abril de 2011 eu entrei em um livro de poesias. Confesso que me senti privilegiada e hostil ao mesmo tempo.
A obra de Martha Barros ilustra não só os livros mas a casa de seus pais. Projetei-me para dentro.
Isso se deu graças ao encontro com o poeta, que vocês já devem imaginar, Manoel de Barros. Esse encontro, para mim, representou a transformação de forma plena.
Eu ali, sentada ao lado do ilustre poeta.
Contemplação da maturidade e invasão de pensamentos.
Por dentro, meu coração acelerado se acalmou diante do silêncio e do tempo.
Uma viagem sem relatos possíveis dentro do meu vago domínio dos vocábulos.
Ao observar casinhas de beija flores na varanda, encontramos o que pode ser definido como diálogo.
Surgiu a vontade de contar sobre o roubo dos meus diários. Falei da minha frustração.
- Eu comecei a escrever aos nove anos de idade. Com tal perda eu não tenho ânimo para escrever. Não escrevo mais nada - Senti um certo frio na barriga e a sensação de voltar no tempo naquele instante.
- Volte a escrever - Disse ele - Nem que seja sobre o nada. Quem escreve e deixa de escrever, fica vazio. Eu não sirvo para nada, só sei escrever.
Saí de lá depois de uma longa conversa. Olhamos fotografias e conversamos sobre qualquer coisa.
As palavras desorganizadas caiam como chuva na minha cabeça. Eu precisava de uma caderneta para anotar todos as ideias que me rodeavam.
Na lembrança tenho a imagem do momento da despedida. Dona Stella acenando no portão até o carro virar a esquina de uma rua qualquer em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Para ilustrar minha poesia sem rima e sem acordos ortográficos eu fui buscar outro mestre. Até então, ele só existia na minha imaginação e nas sessões com a Helena.
Tive o imenso privilégio de saborear conversas e aulas com o grande mestre da fotografia, Evandro Teixeira.
Foi ele quem me ajudou a encontrar formas para ilustrar os pensamentos vagos. Me orientou no encontro do meu próprio olhar. Dei início ao processo de retratar com leveza a essência do pensamento e conciliar com o que já existia na poesia e no silêncio.
Entre muitas risadas e conversas, outro sonho realizado, a fotografia.
E o Jorge Luís Borges? Ele é e será eterno. Ele me leva para a Islândia, para o inesperado, em busca das sagas, me fala dos deuses pagãos, pescadores e pastores. Me faz querer partir na busca do espírito épico. Me faz revelar o sentimental e o sensível.
Nessa mistura de sabores e desejos inesperados nasceu a Tiêta, uma kombi, que vai nos levar (Tainá, Thomas, Jean-Marie e Eu) através desse Brasil encantado de seres além do imaginário.
Agradeço de coração à vocês, pessoas que conheci, pessoas que já conhecia e que participaram de forma inesperada dessa construção.
Dezembro é o mês escolhido para fragmentar o tempo em Ano para que possamos recomeçar e, por quê não de outra forma?
Desejo que o ano de 2012 seja ainda mais inspirador.
Boas Festas e acima de tudo: PAZ
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