terça-feira, 15 de novembro de 2011

Matéria Imaginária


Matéria Imaginária
Solange Bouffay
Fotografia Digital 90 x 60 cm
2010


Evento: Variete Cultural 
Exposição na Casa de Cultura Laurinda Santos Lobo - Santa Teresa.


Minha experiência com o improviso foi um desastre interior.
Não costumo ser uma pessoa relapsa, mas dessa vez me deixei levar pelo tempo, pelo acaso e foi desastroso.
Na cabeça projetei um plano e (des)construir foi como despir-me diante do fracasso. Senti morrer por dentro, uma correnteza me levou, fui perdendo as forças, aos poucos, sem margem à vista, fiquei sem voz e uma cegueira tomou conta de mim. Não sentia mais vontade de nadar.
Diga-se de passagem, como sou um ser de sensações e experimentações me deixei, em determinado momento, levar pelo rio do acaso, pelo desamparo de ficar só.  Não é tão desastroso assim, afinal.
Um grito veio lá de dentro. 
''Separe o binômio''.
- Nãoooooooo, não posso!
Na teoria os duplos, os geminados, os siameses não devem se separar. Um depende do outro, entretanto, são diferentes entre si. As matérias imaginárias quando separadas perdem a força e podem até morrer. 
Juntas ganham mais força. 

Na confusão mental tentei ficar invisível, me camuflei de planta, virei espelho e chorei diante da perda interior.
Me falaram em milagre?
A matéria também chorou. Acredite se quiser.
Agora rio.
A sensibilidade, as vezes, nos leva por caminhos inexistentes e problemas imaginários.
São só sensações de meros pensamentos vagos que vem e que vão.


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