Ouço o barulho da chuva e das coisas que estão no passado.
A mesma chuva que acalenta, por vezes assombra.
Noite chuvosa, dolorosa insônia.
Rolo pela cama evitando compreender a dimensão do labirinto alagado.
O que são esses círculos coloridos?
Impensáveis são as tentativas de sonhar o já sonhado.
Esse labirinto é uma imensa multidão. Quem são essas pessoas-tartarugas circulantes?
O texto se perdeu; preciso só de uma única palavra que também se perdeu junto com o sono.
Sombra rastejante não se aproxime de mim com seu peso e desencanto.
Não me venha falar de memórias tardias assustadora sombra que projeta seus maus agouros na doçura das mulheres. Conheça a cor amarela ou a indiferença dos meus tão íntimos jardins floridos.
Rede que balança suavemente, pensamentos que rondam uma brecha pra entrar. Nem todos são bem-vindos, existem coisas que soam melhores quando são evitadas.
Mania de pessoa velha; que tem gosto por bolo de fubá, chás aromáticos, chinelo de dedo e meias vermelhas pra aquecer os pés. Mania de crochê, de bordado, de máquina de costura, de combi e de lápis de cor...

